sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Capelas da Santa Cruz no Caminho

Foto: Calixto de Inhamuns


"Comunidades rurais foram constituidas proximas as capelas que funcionavam como local de convergencia dos habitantes espalhados na extensa área agricola" (1)

"Fato que caracteriozu o comportamento dos fieis na Villa de São José da Capitania de SP era a constancia das mulheres ocjuare
pm o corpo da igreja, enquanto os homens situavam-se nos adros, tratando de negocios ou cproximaonversando qualquer assunto alheio a missa..." (2)


1 - Livro - Capelas Rurais de Jacarei - Nubia dos Santos Macedo - SJCampos - 1998 - Univap
2 - Notas sobre a arquitetura tradicional de São Paulo - Carlos Lemos - pag 12

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Capelas da Santa Cruz



Herança que os jesuítas deixaram  no Brasil na sua missão de catequizar os índios as Capelas da Santa Cruz estão espalhadas principalmente em São Paulo e Minas Gerais.
 É símbolo concreto da devoção popular na “Santa Cruz”, ou “Vera Cruz".
A maioria dos devotos  desconhecem sua origem, mas continuam mantendo a tradição e comemoram a Festa da Santa Cruz pois foi assim que seus pais lhe ensinaram.
No dia 3 de maio em frente a algumas dessas Capelas é realizada a "Festa da Santa Cruz". 
Na sua maioria são festas familiares onde se reúnem  para rezar, dançar e honrar a "Santa Cruz".


Capela Santa Terezinha



A primeira vista esta Capela parece uma construção nova que ainda não está concluida, porém reparando mais um pouco, no telhado, ao lado do telhado de zinco,  voce verá uma tipica "Capela da Santa Cruz" que está sendo aumentada e remodelada. Centenas de atuais Igrejas de hoje foram no passado uma pequena "Capela da Santa Cruz".











obs : (Se voce tiver alguma historia ou "causo" sobre esse assunto, por favor, conte para mim !)


Pequeno Relato de Saint Hilaire


"Uma cruz de madeira indica o limite entre a capitania de Minas e a de S. Paulo".
 (p.136)( 1822 - Saint Hilaire)

Capela da Santa Cruz no Caetê - Antiga

Capela da Santa Cruz do Caetê (Antiga), também na estrada de Monteiro Lobato. 
Está situada quase em frente à Fazenda Caetê. Um morador vizinho informou que o "proprietário" estava querendo derrubar a pequena Capela.
Seu estado representa a situação das Capelas da Santa Cruz na nossa região: semiabandonadas.
Segundo a tradição local não se deve descartar objetos sagrados em lugares profanos e por esse motivo as Capelas da Santa Cruz se tornaram o local ideal para o descarte dessas imagens quando quebradas.
Também os novos convertidos a "crença evangélica" não ficam seguros de abandonar suas imagens no lixo e acabam depositando-as nestas Capelas. 
Conversando com um "pai de santo" ele me disse que as Capelas da Santa Cruz também podem ser usadas para fazerem seus "despachos" e que não se deve tocar, nem levar nada que pertença a essas Capelas para casa sem corrermos o risco de ficarmos com um "encosto".

Durante a pesquisa me informaram que este terreno, atualmente, pertenceria a Prefeitura Municipal e que projetam um conjunto habitacional nele. Outros porem informaram que o terreno na verdade pertence a um particular

















obs : Em maio de 2015 retornei para ver o estado desta Capelinha. Colhi um relato sobre a Capela que em breve estara no blog.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

A Cruz Esquecida de Jucelino Kubicheck - JK / Via Dutra - Km 228



Estas duas cruzes, abandonadas, quase destruídas na beira da Dutra fazem parte da história do Brasil e estão quase esquecidas.

Foram erguidas no local da morte de Juscelino Kubistchek de Oliveira (JK) e seu motorista e amigo “Geraldo Ribeiro’”.

Acredito que todo brasileiro já ouviu o nome dele alguma vez na vida, pois ele ocupou o cargo de Presidente do Brasil entre 1956 e 1961 e foi o responsável pela construção de Brasília, nossa Capital Federal.

Sua morte é cheia de mistérios, polemicas e um tanto de romance. O veiculo, um Opala dirigido por Geraldo Riberio vinha de São Paulo com destino ao Rio de Janeiro e segundo relatos, levou uma batida de um ônibus e foi se chocar com uma carreta que ia em sentido contrario.

Algumas noticias dizem que ele ia para o Rio de Janeiro se encontrar som sua amante. Outros porem relatam que ia ao encontro de uma velha amiga portuguesa em busca de um “sustento” já que após sua volta do exilio, estava em dificuldades financeiras. Há também o relato de que ia se encontrar com generais contrários ao governo, com o qual pretendia fazer planos para voltar ao poder e por este motivo teria sido assassinado. Ou seja, teria sido um trágico acidente.

O certo é que este acidente ocorreu em 22 de agosto de 1976, na Via Dutra, na “Curva do Açougue’, hoje conhecida como “Curva JK” e é um dos mais polêmicos do Brasil.
Triste também é ver as duas cruzes na Beira da Dutra assim descuidadas, abandonadas.
 Não existe nome, data nada que lembre o ex Presidente e seu acidente.

Levei um bom tempo para localiza-las.

Segundo o relato de um funcionário de um Posto de Gasolina próximo ao local, o motivo para tal descaso foi o fluxo de pessoas e carros que paravam “nas cruzes” quando havia uma placa que as sinalizava. O argumento, teria sido que, por ser a Via Dutra muito movimentada, a parada constante de carros naquele local colocava em risco as pessoas que paravam para vê-la ou acender uma vela no local.  Assim, foi mais fácil relega lá ao esquecimento do que fazer uma sinalização apropriada com medidas de segurança naquele trecho da via.
Após muita polemica em 22 de abril de 2014, A Comissão Nacional da Verdade, concluiu que o acidente e a morte de JK e seu motorista foi acidental.
Uma curiosidade: JK era devoto da Santa Cruz e fez questão que a primeira missa no terreno que viria a ser a Capital Federal do Brasil, (Brasília) fosse realizada no dia 3 de Maio, Festa da Santa Cruz.





quinta-feira, 18 de maio de 2017

Capelas de Beira de Estrada

Foto de Calixto de Inhamuns
As Capelas de Beira de Estrada são marcos da chegada do homem naquele local.
Com o passar do tempo algumas se transformaram em Vila ou cidade, outras foram destruídas, outras abandonadas porem continuam no mesmo local e ninguém tem coragem de derrubar porque o local é tido como “santo”.
 Essas Capelas contam a historia do povo do local

Antiga Capela de Taipa no Meio do Mato - Bairrinho ( Nea)

Adicionar legenda





Néa, me passou essas fotos que segundo ela são de uma antiga Capela da Santa Cruz, feita em taipa, que existia em uma fazenda no bairro do  Mato Dentro, tambem conhecido como Bairrinho.

Bernardo Guimarães e o surgimento de uma Capela da Santa Cruz



Foto de Manuh Mourão 

Bernardo Guimarães retratou em seu livro: Histórias e Tradições da Província de Minas Gerais, como nasciam algumas Capelas da Santa Cruz e a devoção em torno delas. 
Aqui deixo para vocês a introdução do conto:

 A Filha do Fazendeiro, que poderá ser acessado em sua integra no link que irei disponibilizar abaixo. 

Assim nasceu uma Capelas da Santa Cruz:

"Maio de 1867
A cinco ou seis léguas ao norte da cidade de Uberaba na província de Minas Gerais se via ainda há alguns anos uma capelinha isolada ou ermida no alto de um espigão, domi­nando por todos os lados um largo e risonho horizonte como atalaia imóvel olhando em derredor as solidões. Era uma pequenina e tosca construção de madeira com quatro paredes, coberta de telha e coroada por uma cruz, como se encontram muitas disseminadas por esses vastos sertões.
Essas capelinhas têm de ordinário junto a si um cercado de pedra ou de madeira, que serve de cemitério aos fazendei­ros vizinhos. Quando se diz – vizinho – naquelas paragens, e principalmente em eras mais remotas, entende-se moradores de cinco, seis, sete e mais léguas em redor.
A capelinha, a que nos referimos, tinha também junto a si o seu terreno sagrado, cercado de muro de pedra, e com uma cruz no meio, e era ali, que os fazendeiros daqueles con­tornos mandavam enterrar os seus defuntos, para se forrarem ao trabalho de mandá-los viajar dezenas de léguas levando-os aos povoados onde houvesse cemitérios sagrados. Esta, porém, não foi erigida especialmente para esse fim, como se verá pelo decurso desta história.
Do alto da capelinha enxergava-se em distância de cerca de meia légua em um aprazível vargedo a fachada denegrida arruinada de uma grande fazenda, com seus vastos currais, sen­zalas, moinho e engenho de cana, mas tudo a desmoronar-se, tudo abafado entre o matagal, que começava a tomar conta do terreno com a vigorosa e luxuriante vegetação, que há naquelas regiões. A fazenda achava-se situada ao pé de um lançante entre duas vertentes orladas de filas de coqueiros chamados buritis, cujas linhas se perdiam na imensidade dos horizontes como fileira de guerreiros selvagens postados em ordem de batalha ao longo dos chapadões. As terras de cultura ou matos de plantio eram mais longe, nas escuras matas, que acompanham as margens de um ribeirão, que vai desaguar no Rio das Velhas.
A algumas centenas de passos além da capelinha havia à beira do caminho uma cruz de pau toscamente lavrado, e via-se claramente que ali havia uma sepultura. Existindo ali tão perto uma capela e um recinto sagrado para se enterrarem os mortos, por que razão fora ali sepultado aquele corpo, assim segregado dos outros hóspedes do túmulo?
Aquele lugar tinha reputação de mal-assombrado, e agente daqueles contornos, que bem sabe disso, evita o mais que pode passar por ali depois de noite fechada. Um, que por desgraça teve de passar por lá a desoras, quase que lá ficou morto de medo fazendo companhia ao enterrado. Con­tou, que vira sobre a sepultura levantar-se um fantasma mons­truoso, o qual depois de exalar um gemido prolongado e lamen­toso como o uivo de um cão, arrebentou dando um estouro como de um tiro, e desmanchou-se em línguas de fogo vivo, que passearam por algum tempo por cima da sepultura, e sumiram-se um momento depois.
Se o leitor deseja saber que acontecimentos deram lugar ao abandono daquela linda fazenda, e qual o mistério que encerram aquela sepultura e aquela capelinha, leia a seguinte história, que há tempos me foi contada por um morador daquelas paragens, e que eu tratarei de reproduzir com toda a fidelidade e individuação, que a memória me permitir."

(http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/_documents/0006-00770.html)




Festa da Santa Cruz - Noticia no Correio Joseense - 1920



Existe uma noticia no Correio Joseense de 16/05/1920  sobre uma Festa da Santa Cruz. 
Fica aqui o registro : 

"Festa de Santa Cruz no Alto da Ponte
Philomena Priante – festeira
reza / leilão
baile na casa de Bernardo Priante
festeiro 1921 – Audemo Veneziani
Maria Bueno de Carvalho"


Cruz na Estrada de Caraguatatuba - Km 25,5

Foto Claudio Vieira

Outro dia, lendo um artigo na internet colhi esta foto feita por Claudio Vieira.
O artigo comentava um trecho interditado para as obras da rodovia porem achei interessante essa cruz no alto do barranco perto do Km 25,5.
Ainda irei lá fotografar. 
Caso saiba algo sobre ela me escreva. 
Obrigada!


Primitiva Capela da Igreja do Jardim Satelite - Atual Paroquia do Espirito Santo



Tudo começou com uma pequena capelinha feita de sapê (1960). Hoje, ergue altiva a Paróquia do Espirito Santo na Avenida Cassiopéia 461 – São José dos Campos.
(Foto do acervo da Paroquia do Espirito Santo)

A Capelinha na década de 1970
(Foto enviada por Ivone Fonseca - Facebook - Resgatando Sao José dos Campos) 

Igreja do Espirito Santo em 2019 - foto da autora


Capelinha - D. Josefa e Seu Luiz - Capuava

Tenho que me acostumar e me conformar com o fato de que não sou eu quem as procuro, elas que me acham!
Saí a esmo, sem lugar definido, eu e minha “vizinha”.
Essa minha “vizinha” é outro caso para contar com mais detalhes mas só agora só te digo que é uma grande amiga que conheci há muitos anos. Somos tão amigas que podemos nos dar ao luxo de nos chamar somente de “vizinhas”.
Saimos a esmo para espairecer um pouco do dia a dia agitado da nossa grande cidade. 
Dirigindo lá pelas bandas do "Capuava" observavamos os sitios e de repente eu "pressinto" que aquela pequena cosntrução no meio de uma grande quantidade de mato é uma Capela da Santa Cruz. 
Minha vizinha, sentada ao meu lado com certeza consegue um angulo melhor e identifica a Capela:
 - Dóris! Pare o carro! É mesmo uma capelinha!

Dentro dela não se via imagens no altar. Eles nem se lembram que santo estava lá quando eles compraram o sitio. Existe somente alguns quadros e figuras de santos disputando espaço com arame para cercas, colchoes, cadeiras velhas e etc..


Entramos no sitio e começamos a procurar alguem para nos atender quando encontramos um senhor que ia saindo do sitio, a pé, com uma caixa de ovos na mão e vai avisando:

- Pode entrar! É gente boa!
- Cachorro? Ah! Esta preso!
Bati “palmas” para chamar a atenção dos donos e logo veio o Sr. Luiz nos atender.  Ele todo solicito e eu fui explicando quem eu era e o que queria... Ah! Também queria ovos... Se tivessem disponíveis.

O sitio estava todo florido.  Nele se sentia o vai e vem de seus moradores. Perus, gansos, galinhas, gado, mulheres batendo bolos, seu Luiz tratando o gado e, a capelinha, ali no canto, escondidinha, abandonada e cheia de entulhos.
O Sr. Luiz disse  que no passado, há muitos anos rezavam na capela. Que até vinha um padre rezar missa nela, mas agora, para tristeza de D. Josefa, o local virou deposito de coisas velhas.
- Sabe, já pensei em reformar. Me falaram que era melhor derrubar e construir uma nova, pois as raízes da arvore infiltraram e soltaram todo o piso que agora esta todo “fofo”.

Ai! Não faça isso D. Josefa... Arruma... Tenta restaurar a Capelinha...

D. Josefa é paraibana, Veio com seus 16 anos junto com a família. Ela conta que na época viviam em uma miséria de fazer dó.
 A mãe morreu de parto aos 30 anos quando nasceu o decimo filho.
Assim que chegou em São Paulo foi trabalhar com uma família de judeus que depois de um tempo queriam leva-la para o Peru. Ela não foi. Ficou em São Paulo onde conheceu o Sr. Luiz e se casaram. 
Começaram a vida vendendo roupas e estavam indo muito bem porem foram assaltados “com a arma na cara” e foram tantas vezes que decidiram se mudar.
Desde então estão no sitio. A Capelinha já estava lá.
D. Josefa é uma senhora com seus 76 anos. Alegre, animada e muito trabalhadeira.
Nos recebeu com um carinho enorme e nos fez prometer que voltaríamos outro dia, pois no momento ela tinha de ir à missa... em outra Capela.
Prometemos que voltariamos, e vamos mesmo d. Josefa. Pessoas felizes e maravilhosas como a Senhora e o Sr. Luiz não é todo dia que encontramos por ai.
Vamos voltar, e quem sabe a Capelinha vai estar pintada e reformada, hein?